Frazer Harrison

Após a morte do afro-americano George Floyd às mãos das autoridades, que gerou uma onda de protestos contra a brutalidade policial e o racismo, Lil Wayne pronunciou-se sobre o assunto e defendeu que as pessoas têm de "parar de culpar todas as pessoas de uma determinada etnia ou todas as pessoas que usem um distintivo da polícia".

Os internautas não gostaram do comentário do rapper e, com isso, veio uma chuva de críticas. Em resposta, o artista de de Nova Orleães justificou as declarações iniciais recordando o episódio em que foi salvo por um agente da polícia branco quando era criança. "Quando era novo, com uns 12 anos ou assim, dei um tiro a mim próprio e fui salvo por um polícia, o tio Bob", relembra Lil Wayne durante o episódio de rádio "Young Money".

"Têm de compreender que a forma como vejo a polícia se alterou desde então. Fui salvo por um polícia branco. Uma série de polícias negros ignoraram-me quando me viram deitado no chão com um buraco no peito. Ele recusou-se a fazê-lo", explicou, acrescentando que enquanto os outros agentes foram em busca de armas e drogas na casa, o polícia pegou no carro e levou-o ao hospital.

Embora a história com o "tio Bob" tenha sigo boa e com um final feliz, outros não tiveram a mesma experiência. De acordo com o Rap Mais, o polícia foi demitido em 2012 após ter provocado repetidamente um homem tendo inclusive feito insultos raciais ao mesmo.

O artista refere ainda que viu muitos casos de brutalidade policial no bairro onde cresceu, mas defende que "temos de saber bem quem é a pessoa que acusamos de alguma coisa". Para ajudar a explicar a sua posição, Lil Wayne recorda ainda um episódio mais recente: "Há poucos dias, estava num avião privado e tinha um piloto - pago pelos meus pilotos, obviamente, porque é um avião privado - e tive um problema com ele. Acontece que era caucasiano", contou.

"Fui ter com ele para falar e ele disse-me para sair dali e voltar para o meu lugar. Deve ter pensado que estava a voar na United Airlines ou assim, deve ter-se esquecido de que era o meu avião. Penso que se esqueceu do que estava a acontecer. Sabem o que aconteceu? Chamou a polícia, que estava à minha espera quando aterrámos. Felizmente que perceberam a situação e me deixaram ir diretamente para casa", continuou.

"Antes de especularem sobre o que quer que seja, entendam que eu também passo por certas situações e que todos temos as nossas histórias. Por isso, não me julguem sem razão. Não me julguem. Fiquem na vossa e ajudem da forma que puderem. Estamos todos nisto juntos", rematou.