Io Appollonni esteve esta segunda-feira, 11 de maio, no programa Júlia, da SIC. Numa entrevista intimista com Júlia Pinheiro, a atriz falou sobre a sua vinda para Portugal, recordou os tempos do teatro de revista e falou ainda sobre o romance vivido com Camilo de Oliveira.

“Entre mim e o Camilo, na segunda revista, rebentou uma paixão entre nós absolutamente diabólica”, começou por contar, acrescentando que quando se apaixonou pelo ator este era ainda um homem comprometido.

“O Camilo era casado. E o que é que ele faz? Sai de casa e vai viver para um quarto. A mulher levantou o dinheiro todo e só deixou cinco contos no banco. Depois vai a PIDE e denuncia-me e dá-me 48 horas para sair do país. Fui chamada por desencaminhar um homem casado, relatou.

"Fiquei grávida dele. Fiz o primeiro aborto clandestino e declarei no programa do Joaquim Letria, mais tarde (em 1978), que tinha praticado o aborto. Aí fui chamada à Judiciária. Diga-se de passagem, trataram-me bem, mas houve uma grande onda de solidariedade que terminou com a primeira entrada na Assembleia da República da lei sobre a interrupção voluntária da gravidez", recordou.

Entretanto, mais tarde, em maio de 1968, Io voltaria a engravidar do ator. Na altura, a atriz estava a viver Madrid onde tinha sido convidado para fazer uma revista. “Ele deixou-me uma prenda na barriga, o meu primeiro filho”, contou.