Hernâni Carvalho é uma figura incontornável do jornalismo criminal. Comentador da atualidade e muito acarinhado pelos telespectadores que procuram, na televisão, programas que lhes abram horizontes e que revelem o que tende a ser escondido por muitos.

Encarando o seu trabalho numa perspectiva de serviço público, Hernâni tem oferecido a milhares de portugueses as ferramentas necessárias para formarem opinião individual sobre assuntos de ordem pública. Licenciado em Psicologia, começou a fazer televisão em 1982, na RTP, e nunca mais parou. O homem que entrou, por concurso público, no pequeno ecrã foi o mesmo que se celebrizou em 1999 pela cobertura da crise em Timor e, mais tarde, pela cobertura jornalística que fez no Afeganistão. Mas, da esfera íntima de Hernâni Carvalho, poucos saberão pormenores.

Ontem, dia 25 de fevereiro, o comentador do espaço criminal de O Programa da Cristina esteve à conversa com Júlia Pinheiro e, sem filtros, falou sobre uma fase dura da sua vida.

Ainda muito jovem, Hernâni Carvalho travou uma batalha contra o cancro e recordou - emocionado - o momento do diagnóstico: “Tinha 33 anos, estava num vórtex de trabalho bem interessante, numa ascensão profissional muito interessante e portanto não tinha tempo, e de repente fiquei rouco. Trabalhava na RTP e na Rádio Nova Antena… e um dia o operador de som disse: ‘Hernâni, já não aguento mais, estás tão rouco que já não consigo filtrar mais a tua voz’… E eu achava que era uma questão de tomar uns rebuçados e fui aos serviços clínicos da RTP, que ainda os tinha, e pedi à senhora enfermeira um otorrino que fosse ali perto porque tinha pressa e estava rouco e tinha de tratar do assunto. No otorrino, disse que estava um bocado rouco, que me arranjasse umas pastilhas. Ele observou-me e disse: ‘Tens um cancro na garganta, vou-te operar na segunda-feira”, acrescentando: “Foi complicado! Caiu-me o teto. A sensação é extraordinária: saí para a rua e o céu parecia-me mais baixo, mais próximo da cabeça. Não tinha horizonte”.

O jornalista superou a adversidade mas acabou por revelar - pragmático como sempre - que já experienciou, posteriormente, outros sustos relacionados:“Lá fui operado, aquilo correu muito bem, mas um ano depois tive de ser operado de urgência outra vez… e já tive mais sustos. Isto é até um dia deixar de ganhar!”