Soraia Chaves, convidada de Daniel Oliveira no programa 'Alta Definição', da SIC, é uma mulher livre, sonhadora, independente e que gosta de confiar no seu “primeiro instinto”.

Viveu uma infância feliz, no seio de uma família grande e unida onde o cheiro a mar era o perfume dos dias. Faz parte de um clã de quatro irmãs onde nunca houve hierarquias, mas onde não faltaram as “guerras” e a luta pelo espaço próprio.

A atriz assegura: “para mim o amor é um mistério” , complementando “é sempre estranho falar de amor” porque, no seu entendimento, o amor é obrigatoriamente recíproco e desinteressado - valores que tendem a perder-se, cada vez mais, na sociedade.

Sobre o entendimento e a procura de respostas sobre o amor passou por várias fases, por muitos questionamentos, pela magia mas, ainda hoje, procura repostas. Uma coisa é certa, quando questionada se tem sorte ao amor, a resposta é “sim, acho que sim.”.

- “A minha família foi aquilo que me tornou naquilo que eu sou” -

Acredita que o amor pela família é a forma mais inabalável de amar, muito mais do que o amor romântico. Tudo o que viveu em família, repercute-se na sua vida adulta: “a influência da natureza e do mar”, a proximidade com os avós, os pais que sempre respeitaram muito a individualidade de todas as filhas e que lhe transmitiram a importância de não julgar e de respeitar o próximo.

Mas, a verdade é que o seu espírito questionador vem da tenra idade. Sobre o pai conta: “amo-o de morte e tenho grande admiração por ele” mas em casa, por exemplo, combatia a ideia de que as mulheres estavam destinadas a umas tarefas e os homens a outras. De todas as irmãs, conta que sempre foi “a mais combativa”.

- “Sempre tive uma personalidade muito forte” -

Soraia Chaves cresceu na Trafaria, estudou naquela que, à altura, era a segunda escola mais violenta do país, e isso fê-la aprender a defender-se do meio que a rodeia e a manter-se em paz, interiormente. As experiências que viveu enriqueceram-na e considera-se “uma pessoa muito romântica” no sentido de gostar de fantasiar, de idealizar e de gostar de sonhar. Para se definir utiliza a expressão: “eu sou a incerteza” e explica que a sua natureza livre torna dificil, para si, o compromisso. A sua “forma de revolução é não me querer prender”, e é muito crente no poder da projeção da mente.

- “Eu sou feliz com o que tenho” -

Para a atriz tudo, na vida, se transforma em “aprendizagens”. Tudo o que de bom, ou de menos bom, cruza o seu caminho é canalizado para um plano de evolução, mas tem bem presente que, para sobreviver em sociedade,“vamos construindo máscaras”.

- "Sempre sonhei que queria ser atriz” -

A pressão que a vida exerceu sobre ela nunca a fez abandonar o sonho. Aos 15 anos começou a traçar o verdadeiro caminho da sua liberdade, espelhada no exemplo dos pais e dos avós que “sempre trabalharam muito”. Teve e tem medo de falhar, mas explica: “a maturidade foi-me acalmando”, e que o medo já não a bloqueia tanto quanto aconteceu no passado porque compreendeu que é ele o principal impedimento de viver em pleno.

- “Esta atriz tem este instrumento, que serve para tocar esta nota e por isso só lhe vamos dar este papel” -

O poder do físico teve impacto no seu percurso profissional. Soraia não o nega, assim como confirma que “a sensualidade não é reprovável, é natural”. Mas, no seu entender, funciona como uma ferramenta mas admite que não é bom ficar-se preso à imagem exterior, que se passa para o público, porque afinal “Eu não sou só isto”!

Por isso, a própria atriz quis mudar e mostrar que sabe estar confortável noutros registos. Confessou que o caminho não foi fácil e que só há três anos consegue sentir esse reconhecimento. Explicou o quanto considerarem-na uma mulher bonita e sensual fez mal à sua auto-estima, resumindo que: “a beleza não é nunca só física” e tem muito mais a ver com o caráter, a energia, o eu interior e a forma como pensamos.

Soraia Chaves não sente pressão por ser considerada uma das mais bonitas, porque não o considera. Sabe que tem a sua beleza própria e não se compara a ninguém: “cada pessoa tem a sua luz”. Sobre a feminilidade assegura: “o corpo feminino é só natureza” e acrescenta que a mulher ainda continua a ser muito julgada pela nudez ou pelos seus traços femininos. O momento em que se sente mais bonita é quando está em paz.

-“‘A felicidade é uma arma’ calorosa”-

A paz interior e a felicidade são os motores para a vida da atriz que revela: “é pelo bem e pela felicidade que eu acredito que chego ao meu destino”. Em certa fase da vida, confessa que foi perdendo um pouco a noção de quem era, devido à pressão exterior que sentia e que a levou a uma dimensão de confusão sobre a sua verdadeira identidade.

- “Sou muito difícil de me entender a mim própria” -

Considera-se uma pessoa agradável, mas é muito independente e precisa do seu espaço, do seu silêncio e de, por vezes, estar sem interferências de terceiros. Remata: “sou uma pessoa em construção”.

Soraia Chaves “vive na lua” e numa “abstração boa” mas a maternidade “é uma hipótese e um desejo”. Até agora, não pensava nisso, mas a chegada dos 36 anos começa a ter alguma influemcia, especialmente porque assiste à mudança que a maternidade operou sobre as amigas e as irmãs: “aquela forma de amor é única e eu gostava de sentir, eventualmente, aquela forma de amor”.

O “olhar um pouco sonhador” também tem os seus momentos de fraqueza e, sobre isso, Soraia admite: “Eu choro. Posso parecer muito segura. Mas eu choro!”