Quatro meses após o final das gravações de Paixão, Maria João Abreu está recuperada da carga dramática que a sua personagem lhe impunha. Isabel Galvão era uma mulher deprimida e isso fez com que a atriz estivesse constantemente envolvida numa nuvem pesada durante grande parte das gravações. Não é fácil ‘desligar a ficha’ do trabalho, nem mesmo para os atores, e esse peso fez-se sentir para Maria João Abreu. Quando acabou a novela fiquei uma semana em casa a chorar. Foi muito cansativo, muito intenso, mas nós criamos verdadeiros laços de família e de repente é cortar à faca o amor porque, por muito que nós digamos que nos vamos continuar a encontrar – e vamos –, depois passamos para outro trabalho e vamos estar mais com quem trabalhamos no momento e com a nossa família. Portanto foi como se me puxassem o tapete e com toda a carga emocional que aquela personagem trazia, eu acordava e ficava tipo duas horas a chorar, revela a atriz.

Sobre a personagem que a “marcou muito, muito”, prefere não falar, mas confessa que lhe “faz alguma confusão ver as cenas: “De vez em quando vejo e digo assim ‘vai-te embora, vai-te embora’, quero distanciamento agora.”.

Mas guarda boas recordações e as relações que criou nas gravações e conta que já se encontrou “com ‘os meus filhos’, claro que sim. Ficam mesmo laços, para a vida toda.

Atualmente, Maria João Abreu está a ensaiar uma peça de teatro, que vai estrear no Porto em Novembro e estará depois em cena em Lisboa, no próximo ano. “Boudoir” é construído a partir do texto “Filosofia na Alcofa”, de Marquês de Sade e é dirigido por Martim Pedroso. Para além de Maria João Abreu, atuam também André Januário, Flávia Gusmão, Gonçalo Cabral, João Gaspar, João Telmo, Margarida Bakker, Martim Pedroso e Statt Miller.