Ljubomir Stanisic foi convidado de Daniel Oliveira no programa 'Alta Definição'. O chef do Bistro 100 Maneiras falou sem rodeios do momento em o seu primeiro grande restaurante caiu no abismo da falência.

Numa fase em que nada no sucesso, ‘Ljubo’, como gosta de ser tratado pelo círculo mais próximo, recorda o primeiro grande dissabor profissional: a falência do seu primeiro restaurante. “Foi um abanão muito grande na minha vida, como quando perdes um ser querido ao teu lado; foi quase um funeral”, confessou a Daniel Oliveira.

As portas fecharam e o barulho de quem o rodeava diminuiu. Quando a vida o pôs à prova viu a sala da sua vida quase vazia. “Perdi 90% dos amigos. Quando estamos bem e temos dinheiro toda a gente é nossa amiga, mas quando estamos sentados num lago de merda a nadar até ao nariz, raramente alguém entra lá de joelhos e te dá a mão para te tirar dela”, recordou.

Fez contas à vida e o resultado era alarmante: quase meio milhão de euros em dinheiro para pagar. Fê-lo rapidamente em sete anos porque odeia "ficar a dever". Quando ligava para amigos, ninguém respondia do outro lado.

Pessoas que não me atendiam e eram meus colegas, chefes de cozinha e hoje olho para a cara deles e desato a rir”, diz o chef da antiga Jugoslávia. No momento da falência viveu momentos difíceis – “das coisas mais válidas para o homem que sou hoje e pai dos filhos que tenho e amigo dos meus amigos”.

Depois de dormir ao relento nas noites frias do Jardim de São Pedro de Alcântara e do Adamastor, em Lisboa, arregaçou as mangas, pôs as mãos à obra e cozinhou sem parar. Doze mil euros depois, abriu o primeiro 100 Maneiras, em 2009, no Bairro Alto. Celebrava as pequenas vitórias do dia de hoje para garantir o amanhã – no talho e na peixaria conseguia pagar no dia seguinte.

Chamou a mãe que veio da Bulgária e dormiam no restaurante. Ainda hoje trabalham juntos com a irmã Natasha, administradora da empresa. Longe dos tempos em que moravam na Reboleira num quarto com 14.

Um restaurante dá muitos anos sem dormir, mas Ljubomir Stanisic só tem medo do que não pode fazer. . “Ninguém tem a história muito bonita, são histórias com vida, dificuldade, com peso próprio.”

Leia aqui quando Ljubomir Stanisic fala da morte infância aquando da guerra na Bósnia e como sobreviveu.