Rita Salema esteve este sábado, 17 de fevereiro, no programa Alta Definição. Numa conversa sincera, a atriz falou abertamente sobre a maternidade, o difícil momento em que perdeu o pai e dois irmãos e recordou ainda o seu grande amigo, o ator Nicolau Breyner.

Aos 51 anos, Rita Salema é uma apaixonada pela vida, mas já passou por diversas provações. Os pais separam-se quando tinha sete anos e em seguida o seu progenitor partiu para o Brasil. Mas o momento mais difícil da vida da atriz viria a ser quando em dois anos, perdeu o pai e dois irmãos, vítimas de doença.

“É o amor dos que cá ficam que me salva assim como o amor que eles cá deixaram e que eu relembro constantemente. Eles estão sempre presentes na minha vida. O meu pai cozinhava muito bem e meu irmão João também. Quando estou a cozinhar, estou sempre a pensar: ‘ o que o pai fazia e como o João fazia. Sempre que estou na cozinha parece que estou com eles”, recordou emocionada.

Além de ser uma filha e uma irmã dedicada, Rita é uma mãe extremosa. Francisca, de 25 anos, é a única filha da atriz, fruto do seu relacionamento com o também ator, Almeno Gonçalves. “Sou abençoada pela filha que tenho. Tenho uma filha maravilhosa. Nunca me deu problemas”, começou por referir, acrescentando que tem uma relação muito próxima com a filha. “Uma vez escrevi um texto a dizer que a minha filha é a minha melhor amiga e que eu sou a melhor amiga dela. E houve uma senhora que ficou muito indignada por eu dizer isso, porque dizia que os pais não podiam ser amigos dos filhos. E há muito pais que creem nessa teoria e eu aceito. Mas o facto de eu ter a minha filha como minha melhor amiga e ela a mim como a sua melhor amiga não implica que não haja responsabilidade, disciplina e respeito. Tudo isso existe. A minha filha continua a viver em minha casa, tem horas para chegar e tem 25 anos”, referiu.

A atriz fez ainda questão de salientar que a maternidade a tornou uma mulher mais madura e responsável. “Tinha 26 anos, ainda não tinha atingido uma certa maturidade, eu tinha um lado de miúda que ainda não tinha crescido. Com o nascimento da Kika, fui obrigada a crescer”, confidenciou.

Além de Francisca, Rita ainda foi mãe de acolhimento de duas crianças, que atualmente já não vivem consigo, mas que recorda todos dias. Rita acolheu em sua casa uma menina cabo-verdiana, de seis anos, que tinha sido mandada pelos seus pais para o nosso país para ter uma vida melhor. “ Ela começou a ficar muito agarrada a mim. Os primeiros tempos foram muito difíceis… Ela chorava todas as noites com saudades dos pais… Ela tinha uma paixão louca pela Francisca. Cada vez que eu ralhava com a Francisca ou a chamava a atenção, ela amuava comigo e depois, talvez, tenha ficado com menos vontade de falar, embora falasse muito nos pais”, contou acrescentando que a menina, tempos depois, acabou por regressar ao seu país natal. “Os seus pais tinham um enorme medo de a perder. Um dia, telefonaram-me a dizer que os pais estavam cá (em Portugal) para a ver, estar com ela, e aí eu tive a certeza que nunca mais a iria ver”, recordou.

Tempos depois, Rita voltou a acolher uma outra criança, uma menina de uma instituição de solidariedade onde era colaboradora.

Ainda durante a entrevista a Daniel Oliveira, a artista aproveitou ainda para recordar o seu grande amigo e colega, Nicolau Breyner, que morreu em março de 2016. “O Nico era uma pessoa extremamente generosa, que amava muito. Ele era uma das pessoas que mais gostava dos outros. Eu cada vez que estava com algum problema, o Nico estava lá sempre. Era um amigo muito presente, uma pessoa apaixonante”, confidenciou a atriz com um enorme sorriso no rosto.

Veja a entrevista completa aqui.