Em 2004, as instituições da União Europeia decretaram que todos os ovos comercializados passariam a ter um código impresso, na embalagem e na própria casca, que daria ao consumidor informações sobre a produção e origem dos ovos.

Este código permite saber qual o país de origem dos ovos, em que condições foram criadas as galinhas e qual a zona de exploração. Mas, 14 anos depois, ainda há muitas pessoas que não estão alertadas para esta “funcionalidade” e que escolhem os ovos apenas olhando ao preço.

Fonte da imagem: DECO Proteste

- O primeiro digito corresponde ao código do modo de criação;

- As duas letras formam o código do estado-membro;

- O dígito seguinte indica qual a Direção Regional de Agricultura que supervisiona a exploração de onde os ovos são originários, também ela representada por um código de três algarismos (código de exploração).

Enquanto consumidor, o que mais importa perceber é o modo de criação das galinhas e se os ovos são originários do próprio país, no caso Portugal.

O código de criação é um algarismo de 0 a 3 e indica em que condições as galinhas foram criadas e de que se alimentaram, de acordo com os seguintes parâmetros:

0 - Modo de produção biológica: são ovos provenientes de galinhas criadas de forma biológica, ou seja, em que 80% do seu alimento deve ser de origem biológica. O produtor deve assegurar que cada ave tem, pelo menos, 4 m2 de espaço ao ar livre. No interior, cada pavilhão pode conter no máximo três mil animais e não pode ter mais de seis galinhas por metro quadrado.

1 – Produção “ao ar livre”: Significa que as galinhas têm um espaço interior, de condições similares ao código 2, onde pernoitam ou se abrigam quando o tempo apresenta condições meteorológicas adversas. Mas também têm um espaço exterior, ao ar livre, que deve estar essencialmente coberto de vegetação e onde cada animal tem direito a, pelo menos, 2,5 m2 de espaço.

2 – Produção no solo: as galinhas vivem em pavilhões fechados (como um extenso galinheiro), onde se podem mover mais ou menos livremente. No entanto, não podem sair para o exterior. A densidade animal não deve ser superior a nove galinhas por m2. A superfície de cama de galinha deve ocupar, pelo menos, um terço do chão do aviário. Devem existir manjedouras e bebedouros em locais separados. Tirando a superfície de cama, o chão é constituído por grelhas para onde vão os excrementos. Os pavilhões dispõem de ninhos e poleiros.

Neste código e no código 3 o bico das galinhas é cortado, uma vez que a situação de stress fá-las ter comportamentos anormais, como atacar outras galinhas ou automutilação.

3 – Produção em gaiolas convencionais: são os ovos mais comuns, mais baratos e menos saudáveis. As galinhas estão confinadas a espaços muito restritos de 550 cm2 por animal. As condições de iluminação são modificadas para criar nas galinhas a ilusão de que há mais horas de sol e, portanto, fazer com que tenham uma maior produtividade. Tudo está mais ou menos automatizado: os ovos postos são diretamente recolhidos por tapetes rolantes, que também são usados para distribuir alimentos; os excrementos caem através das grelhas das jaulas e são libertados. Trata-se de um sistema higiénico e eficaz, com baixos custos de produção, mas que não tem em conta o bem-estar dos animais.

Ou seja, numa situação ideal deve optar pelo código que começa por zero, pois é esse o algarismo que indica a produção biológica e mais saudável.

Da próxima vez que comprar ovos no supermercado preste atenção à marcação. É útil e ajuda-o a perceber o que de facto está a ingerir.