Jay-Z foi o mais recente convidado de David Letterman no talk show “O Próximo Convidado Dispensa Apresentações”, onde falou abertamente sobre o seu passado nas ruas, as dificuldades familiares e a discriminação racial. A traição a Beyoncé não podia ficar de fora de uma entrevista marcada pela honestidade de dois homens frente-a-frente.

O mundo da droga: “Ninguém sobrevive à rua. Ou acabas morto, ou acabas preso."

Ari Perilstein

A conversa começa precisamente no início. No início da vida de Shawn Corey Carter. “O meu pai saiu de casa quando eu tinha 11 anos”, começa por contar o rapper, ao inicio pensei que ele apenas tinha ido embora e quando era miúdo tinha muita raiva dele, mas quando cresci percebi que ele passou por coisas muito difíceis na vida. O irmão dele foi morto no bairro e então às vezes alguém lhe ligava a meio da noite a dizer ‘vi o homem que assassinou o teu irmão’ e ele saía de casa, onde estava com os filhos, pegava na arma e saía simplesmente. A determinada altura a minha mãe disse-lhe ‘tens uma família aqui’, mas ela não tinha o discurso certo para lhe dizer ‘nós amamos-te e não te queremos perder também’, então o receio dela foi visto como um ultimato (…) isso fez uma mossa na relação deles, ele começou a viver numa dor profunda e começou a usar heroína.

A esse propósito, Jay-Z, que foi traficante de droga durante a adolescência, explica como tudo começou e conta que foi ‘recrutado’ por um homem que tinha uma tasca na sua rua e o chamou a ele e a um amigo, “a partir daí começou um negócio”, tinha Jay-Z 16 anos. No início levava para casa “dois mil dólares por dia, mas depois cresceu…mesmo muito”.

Letterman pede-lhe ajuda para perceber o porquê de sair dessa “vida” e parar de vender, quando estava a ganhar tanto dinheiro com isso: “Andar na rua… ninguém sobrevive a isso. Ou acabas morto ou acabas preso”, diz o artista de forma muito direta, acrescentando que a música é realmente a sua grande paixão e que nunca deixou de escrever nem de ‘rappar’. “Andava sempre com papéis no bolso porque ia escrevendo em guardanapos e sacos de papel e depois guardava tudo e nas ‘pausas’ ou sempre que tinha algum tempo livre, estava sempre a cantar numa esquina qualquer com alguém.”

Quando a mãe lhe contou que amava outra mulher, chorou “por ela finalmente estar livre”

Jamie McCarthy

Foi no final de junho do ano passado que a mãe de Jay-Z, Gloria Carter, “saiu do armário” para o mundo, com o lançamento do single “Smile”, onde o artista faz a revelação. Apesar de saber há muito tempo que a mãe é lésbica, foi apenas nessa altura, há oito meses, que o rapper e a mãe tiveram “a conversa”: “Foi a primeira vez que ela me disse que amava a companheira. ‘Sinto que amo alguém’. Ela disse ‘sinto que’, ainda se retraiu um pouco! Não disse tipo ‘estou apaixonada!’, disse ‘sinto que amo alguém’. E eu chorei… e eu nem acredito em chorar de felicidade!”, contou Jay-Z, dizendo ainda que “o que importa aqui é ela e o bem-estar dela. Imagina teres de viver a tua vida com outra pessoa para protegeres os teus filhos… na altura não era como agora. Hoje em dia toda a gente se aceita melhor (…) então sim, chorei mesmo. Chorei por ela finalmente estar livre”. No dia seguinte, escreveu “Smile”, que faz parte do álbum “4:44”, e que fala precisamente sobre a experiência da mãe e sobre esta conversa que os dois tiveram.

Jay-Z falou ainda sobre a traição a Beyoncé, um assunto que veio a público no ano passado e que o próprio acabou por admitir publicamente em novembro. Veja mais sobre a entrevista em que Jay-Z admite que a terapia de casal ajudou a salvar o casamento.

De recordar que Jay-Z e Beyoncé mantêm uma relação desde 2000, casaram a 4 de abril de 2008 e tiveram a primeira filha, Blue Ivy Carter, em janeiro de 2012. Em junho de 2017 nasceram os gémeos Rumi e Sir Carter.

Jason Miller