Tony Carreira foi o convidado de Daniel Oliveira no programa ‘Alta Definição’, da SIC, no ano em que celebra 30 anos de palco e em que acaba de anunciar uma pausa na carreira. Sobre esta pausa, Tony diz que não será definitiva, “pelo menos não é essa a minha vontade. Apenas preciso de tempo para fazer o meu trabalho, como sempre fiz. E de paz (…). Espero que não seja uma coisa que gere ainda mais polémica, é uma pausa completamente legítima”. A conversa foi, inevitavelmente, dominada pelas acusações de plágio dos últimos tempos, mas houve ainda tempo para falar da família, de saudades e dos tempos mais felizes da sua vida.

As acusações de plágio

Tony explica que, apesar de delicado, este processo não lhe tirou o sono, eu vivi este problema em 2008 e aí sim [tirou-lhe o sono], porque sabia que tinha uma situação para resolver. Aqui não.”. Questionado por Daniel Oliveira, Tony diz que este acontecimento e a sua exposição não o está a afetar muito, pois “ao contrário do que possam pensar, de tudo o que eu vivi em termos de comunicação social e que eu achei injusto, o processo que menos me desgastou foi este. Isto não é um processo, pode vir a sê-lo, mas não o é. Eu acho que ainda ninguém percebeu o que está a acontecer, tudo aquilo que estou a viver neste momento é uma cena que já vivi em 2008”, o cantor prossegue a explicação: “Aí estávamos a falar do que se fala hoje, mas de uma forma justa (…) podemos considerar plágios porque [as músicas] estão muito próximas das canções originais. Eu não o neguei na altura e fiz aquilo que me compete que é reparar o erro: paguei o que tinha a pagar a quem tinha que pagar, inclusive, entre esses autores, há autores de quem sou amigo. (…) Há dez anos isso ficou resolvido”, diz Tony, mostrando-se “de consciência tranquila” com a situação atual.

Para explicar as acusações que lhe estão a ser feitas, o pai de Mickael e de David Carreira volta ao passado: “Mais ou menos ao mesmo tempo, há um senhor que tem comigo um problema em tribunal, onde perde três vezes e ele jurou um dia vingar-se e está a vingar-se de uma forma que é completamente incorreta (…). Houve um acordo com autores [para utilizar as suas músicas] e este senhor alega que antes desse acordo houve crime”, diz, acrescentando que “isto é simplesmente uma maneira de denegrir a imagem de alguém e de se vingar de uma coisa que perdeu.” Muito criticado e, por vezes, desacreditado pelos media devido a este caso, o artista diz que “o que mais me desiludiu foi alguns colegas (…) de repente dizerem coisas tão feias”, mas que, de resto, lida bem com as críticas.

O processo da separação e a invasão da vida pessoal

Tony revela que a fase da sua separação foi o momento mais difícil na sua relação com a imprensa, porque “escreveram-se coisas muito, muito feias, tanto sobre os meus filhos, como sobre a Fernanda e isso é uma coisa que me deita abaixo ainda hoje, muito mais do que se se tivesse escrito só sobre mim”. Tony refere os boatos de que se encontrava às escondidas com a ex-mulher e de que iriam casar de novo e esclarece que mantém uma boa relação com Fernanda, que falam e que se encontram, pois ela é a mãe dos seus filhos e “é uma mulher maravilhosa, a quem eu devo muito, e espero ficar amigo dela a vida inteira”.

Depois do desgaste na imprensa nos últimos anos por conta destas duas situações, Tony confessa que espera que durante esta pausa o deixem um bocadinho em paz: “Tenho noção de que, com pausa ou sem pausa, continuo a ser uma figura pública, mas espero sinceramente que respeitem e me deixem respirar um bocadinho”.

“Hei de sempre sentir saudades do tempo em que havia uma família”

Ao longo da entrevista, percebemos que Tony Carreira não está a lidar bem com o passar do tempo e que, os 54 anos que tem, fazem-no já pensar num futuro onde a idade pesa mais. Apesar disso, não voltaria atrás no tempo por causa disso, voltaria apenas por outro motivo: a família. “Há uma coisa que eu hei de sentir sempre saudades que é do tempo em que os meus filhos tinham, o Mickael 15, o David 10 e a Sara 2 anos (…) porque havia uma família”. Para o cantor, foi difícil lidar com a rutura dessa família, mas “é algo que faz parte do ciclo da vida, porque o Mickael já tem a sua família, o David irá ter e a Sara também irá ter, portanto tudo isso é irreversível, não tem a ver só com a situação da separação, e é um tempo de que eu tenho saudades.

30 anos de carreira

Bertrand Rindoff Petroff

2018 marca a história do “Cantor de Sonhos” com muito mais do que acontecimentos infelizes. Este é o ano em que Tony assinala 30 anos de carreira e confessa que a vida não só lhe deu o que escolheu, como canta na música, mas sim muito mais do que esperava: Fiz três filhos maravilhosos, gravei 20 discos, vendi 5 ou 6 milhões de discos, dei dois mil concertos, cantei em países que nunca pensei. Alguma vez me passaria pela cabeça cantar 17 vezes na Altice Arena?!”. Atribui ao público esse sucesso e afirma que “para lá do respeito, tenho uma gratidão para com as pessoas que fizeram de mim aquilo que sou”. Mas, apesar da vida cheia e dos marcos históricos na música portuguesa, Tony não acredita que vá ser recordado no futuro: “Acho que para a história não fica nada. Não me parece que daqui a cem anos se fale de mim”.

Clique aqui para ver a entrevista completa.

Antes da pausa na carreira, que só terá início mais para o final do ano, Tony dará ainda um concerto comemorativo dos 30 anos de canções, no dia 17 de novembro, na Altice Arena.